
Tive grande dificuldade para entender o álbum “The Tragic Songs of Life”, dos Louvin Brothers, dupla de cantores de musica country americana que fez muito sucesso nos anos 50 do século passado.
Não é um estilo musical que me atraia muito, o country. Além de um pouco “meloso” demais pros meus ouvidos brasileiros do séc. XXI, confesso que também não gostei da voz dos caras, meio desafinada, o que talvez seja adequado pro estilo, mas o que faz esse disco um pouco difícil para quem o ouve pela primeira vez atualmente.
A conexão mais próxima que pude fazer com a realidade brasileira talvez seja o das duplas caipiras dos anos 50 aos 70 do séc. passado, como Milionário e José Rico, Sulino e Marrueiro, Palmeira e Biá, etc., mas esses tinham uma temática mais voltada pras coisas do campo, as maravilhas do interior, a beleza das mulheres do interior, as peripécias do homem do campo...
O grande tema dos Louvin Brothers é a tragédia romântica... O grande amor perdido, a separação forçada, a lembrança do amor distante... Tudo embalado ao som da viola e do banjo, numa cadência pausada e constante, lembrando talvez uma valsa ou uma polca...
Ouvindo o álbum, é muito fácil se perder em pensamentos. É o tipo de música que impõe a você uma melancolia saudosa, seja pelo ritmo ou pelas letras. Um dia, ouvindo o álbum e perdido em devaneios, comecei a lembrar dos tempos em que morei no sul dos EUA, no Tennessee. Lembrei do Parque das Smoky Mountains, cheio de trilhas e rios pela floresta, de Knoxville e Gatlimburg, da comida típica daquela região, das casas dos pioneiros...
Percebi então que o disco lembra muito aquele lugar... Acho que existem certos estilos musicais que fazem uma conexão tão grande com um lugar que mesmo em outro contexto vão sempre remeter o ouvindo pro seu lugar de origem. A chanson com a França, o axé music com a Bahia, o reagge com a Jamaica...
A música dos Louvin Brothers é assim uma porta de entrada pra alma do sul dos EUA, um túnel do tempo para um tempo antigo numa cultura estrangeira, quando as pessoas eram menos céticas e mais preocupadas com os grandes sentimentos do mundo. No fim, fiquei feliz de ter conhecido o disco.
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