Escrever sobre o album “Elvis Presley”, lançado em 1956, para mim é um grande prazer. Trata-se de um álbum leve, gostoso de escutar, daqueles que você consegue ouvir estudando, indo pro trabalho, pegando estrada ou mesmo indo para balada.
Não se trata de nenhuma obra-prima fonográfica, uma vez que não foi feito de maneira uniforme, mas sim se valendo de gravações antigas e de algumas faixas novas. Tal fato, entretanto, não desmerece em nada o álbum, tanto que ele ficou 10 semanas consecutivas no posto número 01 da lista da Bilboard no ano de seu lançamento, o primeiro disco de rock’ roll a conseguir esse feito, tendo também sido o primeiro álbum de rock’n roll a vender mais de 1 milhão de cópias.
A mistura de influências é instigante: o rockabillly com suas influências country muito nítidas (e com um certo ar típico do sul dos EUA), a música negra americana, um certo toque funk e soul... Segundo a imprensa especializada, não se trata do melhor disco do Elvis, que teria amadurecido seu talento musical em obras posteriores, mas já é nítido para mim nesse album o porquê ele foi chamado de o “o rei do rock”.
A maior parte das músicas já é bastante conhecida da maioria das pessoas, tendo aparecido em diversos filmes e tocado bastante nas rádios. Aliás, qualquer pessoa que já tenha ido a uma festa com temática “anos 50” já ouviu o disco inteiro com certeza, sem nem saber. Ainda assim, é legal ouvir as músicas na seqüência proposta pelo álbum, mesmo sabendo que ele não é um álbum no sentido mais estrito do termo.
O disco é puro rock’n roll, a começar pela sua capa, que foi eleita como 40ª melhor capa de álbum da revista Rolling Stone`s. Ela é tão antológica para o mundo do rock que tempos depois, em 1979, o grupo de punk rock The Clash usou o mesmo design para a capa do seu álbum London Calling.
Fica nítido que a intenção do cantor é quebrar o paradigma vigente trazendo para o mainstream branco dos EUA a energia e a animação da musica negra, principalmente do sul daquele país. Acho que quem for ouvir esse disco andando na rua deve tomar um cuidado básico: não se deixe envolver pela pegada rápida dos acordes acelerados e a voz ritmada do Elvis cantando faixas como I`ve got a woman, Tutti Frutti, Blue Suede Shoes e Honey Money., e sair dançando no ritmo das músicas. Aconteceu comigo no metrô na última sexta, e não teve “cara-de-paisagem” da minha parte depois que evitasse os risinhos do povo ao meu lado.
Apenas uma faixa me decepcionou: Blue Moon, música conhecida do grande público brasileiro por ter sido tema de uma novela da Rede Globo, e que destoa do resto do disco numa interpretação burocrática e sem sal a parte do Elvis. Definitivamente não é a versão definitiva para música de Richard Rodgers.
O livro “1001 Discos para Ouvir antes de Morrer” informa ainda, como curiosidade, que embora todo relançamento desse álbum inclua a faixa Heartbreak Hotel, que foi a que de fato catapultou o Elvis ao estrelado mundial, que essa faixa na verdade não consta no álbum original, tendo sido lançada como single.
Mas, a despeito dos defeitos evidentes do disco, trata-se de um álbum que claramente merece estar na lista dos 1001 discos para ouvir antes de morrer, e que já faz parte do meu repertório conceitual de música. Aliás, é um álbum excelente para se ouvir na academia, fica a dica!
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